Traumatismos em dente de leite

As crianças frequentemente são vítimas de acidentes envolvendo a região bucal, principalmente bebês que estão aprendendo a andar ou mesmo os maiorzinhos, nas brincadeiras e travessuras do dia a dia. E sempre pegam os pais de surpresa.

Quando acontece um pequeno acidente, muitos pais fazem um exame superficial, perguntam se está doendo e, frente à falta de sintomas visíveis, não se preocupam mais. Mal sabem eles que podem haver consequências não visíveis ou que surgirão a longo prazo, mesmo que os dentes estejam aparentemente inteiros e a criança não reclame de dor. Especialmente no caso de incidentes com os dentes de leite, poderão ocorrer prejuízos à formação dos dentes permanentes, por estes já estarem presentes dentro do osso e terem uma estreita relação com os dentes de leite.

Só o dentista poderá realmente avaliar a extensão do problema nos dentes de leite através de exames clínico e radiográfico, com acompanhamento durante um período determinado, orientando os pais sobre os cuidados a serem tomados na área afetada e sobre a necessidade ou não de tratamento. Em alguns casos é necessária, inclusive, uma radiografia especial (panorâmica) se houver suspeita de danos nos côndilos (parte da mandíbula muito delicada, próxima ao ouvido).

Um dos períodos em que mais ocorrem os traumatismos nos dente de leite é na faixa entre um e dois anos, provavelmente devido à grande atividade física e pouca coordenação motora características dessa fase. Estarão mais propensas também crianças com determinados problemas de oclusão (mordida).

Consequências do acidente

No momento do acidente poderão acontecer muitas situações, desde o corte de gengiva e lábios ao comprometimento dental perceptível, como sangramento ao redor dos dentes, seu “amolecimento”, fratura de algum pedacinho ou mesmo deslocamentos de suas posições originais. Poderá, inclusive, ocorrer a saída (avulsão) de seu alvéolo (cavidade óssea onde o dente “reside”).

Também podem ocorrer danos não visíveis, sob a gengiva, como a fratura da raiz, por exemplo. Essas consequências ocorrem de forma isolada ou em conjunto, acometendo um ou mais dentes, dependendo da intensidade do acidente. O profissional irá fazer a análise de toda a região afetada.

Mesmo se no momento do traumatismo tudo parecer normal, só o tempo nos dará essa resposta com segurança. Cerca de dois ou três dias após o acidente, pode acontecer uma mudança da cor dental devido à hemorragia em seu interior. Meses após, poderemos perceber necrose (mortificação da parte viva do dente), degenerações ou reabsorções, através de sinais clínicos ou radiográficos. Alguns desses fatos ocasionam uma indesejável perda prematura do dente de leite ou alterações nos dentes permanentes sucessores.

Conduta adequada dos pais.

É inquestionável a importância da avaliação odontológica (e, algumas vezes, médica, em casos mais complexos) assim que possível. Mas enquanto o profissional não é localizado, os pais devem lembrar-se:

  • Em cortes e sangramentos – colocar gaze ou um pano limpo sobre o ferimento e pressionar bem para controlar o sangramento.

  • Se houver fratura do dente – procurar os pedacinhos e guardá-los em meio líquido (soro fisiológico, leite…), para que o dentista possa avaliar a possibilidade de reaproveitá-los na restauração do dente.

  • Se houver saída (avulsão) do dente de leite – não é indicada a colocação deste de volta no lugar, devido à probabilidade de sucesso ser mínima e as chances de dano ao dente permanente serem altas. Mesmo assim, guarde o dentinho em meio líquido e consulte rapidamente seu dentista quanto à conduta nesses casos. O dente de leite poderá ser aproveitado para a confecção de uma prótese, necessária para manter o espaço “ocupado” até a época da “perda normal” do dente.

  • Para dentes permanentes o reimplante é indicado. Esse dente acabará sofrendo uma reabsorção de sua raiz e, após algum tempo (1 a 5 anos), poderá “cair”, mas esse tempo será muito importante para que a oclusão (mordida) se defina.

Prevenção de traumatismos:

Os acidentes podem ocorrer em uma fração de segundos. Por isso, temos que diminuir ao máximo alguns riscos que podem envolver as crianças, como:

  • Evitar que ela fique em locais altos de onde possa cair (berços, escadas, trocador) sem a presença de um adulto ou sem algum tipo de segurança, como cintos nos carrinhos de bebê e cadeiras para alimentação;

  • Supervisionar o bebê quando estiver no andador;

  • Não andar de meias em casa e evitar que andem em pisos molhados;

  • Não andar com talheres ou objetos pontudos na boca;

  • Para os maiorzinhos (entre os sete e dez anos há o segundo pico de ocorrência dos traumatismos dentais), usar “protetor bucal para esportes”, como bicicleta, skate, basquete, futebol.

E, mais importante, não deixe para começar as idas ao dentista apenas quando seu filho tiver algum problema instalado. Hoje, com procedimentos preventivos, já se pode evitar grande parte dos problemas bucais e, em casos de traumatismos, a criança se sentirá muito mais segura e terá seu desconforto amenizado se já conhecer o profissional e o ambiente odontológico.

 

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